Por José Pedro Martins
2008, Ano Internacional do Saneamento e do Planeta Terra, oportunidade única para uma reflexão sobre os rumos da jornada humana. Depois do impacto provocado pelos relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), e da frustração com os rumos das negociações em torno do aquecimento global, o momento é de colocar os pés no chão e de olhar o horizonte: o que pode ser feito, e rápido, para dar mais esperança de vida para bilhões de pessoas? O que deve ser executado, e logo, para cessar a marcha da destruição da biodiversidade? Quais medidas efetivas para a proteção dos recursos hídricos, pelo futuro da humanidade, dos ecossistemas, da vida toda?
Com o título "Além da escassez: poder, pobreza e a crise mundial da água", o Relatório do Desenvolvimento Humano 2006, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), ratificou como a escassez de água potável para mais de 1 bilhão de pessoas e de saneamento básico adequado para quase 3 bilhões de seres humanos não é resultado de fatores climáticos ou geográficos. O que falta, assinala o PNUD, é vontade política, é boa gestão, é aparato institucional que garanta esse direito humano básico.
Assim, o Ano Internacional do Saneamento em 2008, também Ano Internacional do Planeta Terra, se configura como grande oportunidade para avanços consideráveis na reflexão sobre o imperativo de ampliação do saneamento básico em escala global.
A decisão da ONU é justificada, segundo resolução aprovada pela Assembléia Geral em dezembro de 2006, em função do "progresso lento e insuficiente em proporcionar serviços básicos de saneamento", além do "impacto da falta de saneamento na saúde das pessoas, na redução da pobreza e no desenvolvimento econômico e social, e no meio ambiente, em particular nos recursos hídricos".
Os números gerais falam por si mesmos. São quase 5 mil mortes por dia de crianças provocadas por doenças de veiculação hídrica, sobretudo a diarréia, em todo mundo.
Os custos para sanar o déficit mundial de saneamento são reduzidos diante de outros gastos. Basta uma semana do que se gasta em produção e vendas de armas para dar condições adequadas de água e saneamento para milhões e milhões de pessoas. O mercado de armas movimenta 1 trilhão de dólares por ano. Quantas vidas não seriam salvas se caísse somente pela metade esse negócio da morte?
Que 2008 seja, então, um ano da virada, de ênfase na defesa da vida, que um saneamento básico adequado pode proporcionar. E que os bons exemplos que vêm ocorrendo, em vários pontos do planeta, sejam inspiradores para uma mudança de postura dos gestores, rumo a uma maior prioridade ao saneamento básico. É uma questão ética, fundamental para o futuro do planeta e da humanidade.
(José Pedro Martins é jornalista e escritor, Prêmio Ethos de Jornalismo 2003, do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social)
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